
Antas- O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - MST ocupou no dia 05 de Agosto a fazenda Boa Vista, de propriedade do Bispo da Diocese de Eunápolis, Dom José Edson Santana Oliveira. Neste domingo (18) homens armados usaram da força de forma violenta para fazer o despejo das famílias que estavam na fazenda.
A fazenda se localiza no Município de Antas no Nordeste da Bahia e segundo informações de Luiz Ferreira, dirigente Estadual do MST, a fazenda vinha sendo questionada para a Reforma Agrária, mas ontem, cerca de 20 homens fortemente armados expulsaram as 111 famílias que além de serem espancadas, tiveram seus pertences queimados por jagunços que ainda estariam na fazenda.
"Eles entraram no acampamento atirando para todos os lados, espancando mulheres, crianças e idosos, puseram algumas pessoas nos carros e levaram para um lugar deserto, espancando os mesmos e depois soltaram para vir a pé", denunciou o dirigente, que também prestou queixa na Delegacia de Polícia de Antas.
Desde a ocupação que os sem terras teriam sido avisados que daquela terra não seriam retirados por policiais, mas por pistoleiros e que iram sofrer as consequências.
O delegado Rodrigo Albuquerque ouve os camponeses desde a manhã desta segunda-feira (19). Policiais também foram enviados ao local para garantir a segurança dos envolvidos. Os integrantes do MST consideram a propriedade improdutiva e querem a inclusão da fazenda no processo de reforma agrária.
Em contato com o Site Bahia notícia o deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) cobrou do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) intervenção para evitar maiores conflitos na região.
"A luta pela terra é um direito de todo trabalhador rural, assegurado na Constituição. O que não pode é este trabalhador ser ameaçado e agredido como vem ocorrendo nessas ocasiões. É preciso que a Justiça impeça esses abusos que vêm sendo cometidos", cobrou. Procurada pela reportagem, a assessoria de Dom José Edson informou que o religioso estava em atendimento e, por conta disso, não poderia se pronunciar sobre o caso.
Informações de Marcio Matos-da Direção Nacional do MST e da Secretaria Estadual do MST Erivaldo Rodrigues de Souza