Debate do salário mínimo no plenário da Câmara provoca vaias e aplausos das galerias

Fonte Extra - Globo - 16/02/2011 - 17:06


 BRASÍLIA - A sessão do plenário da Câmara dos Deputados para votar o projeto de lei que fixa o salário mínimo em R$ 545 foi aberta às 13h40m desta quarta-feira. Enquanto o governo aposta num placar confortável e defensores de um salário maior do que R$ 545 já admitem a derrota, os discursos dos deputados em plenário sobre o assunto estão provocando vaias e aplausos dos sindicalistas que estão nas galerias da Câmara. O relator do mínimo, ex-presidente da CUT e deputado Vicentinho (PT-SP), foi um dos vaiados pelos sindicalistas; por ironia, os deputados do DEM Ronaldo Caiado e ACM Neto saíram da tribuna aplaudidos. O plenário abriu uma nova sessão extraordinária para votar o projeto, que deve ocorrer depois que todos os 40 deputados debaterem o assunto.

(Qual o valor mais adequado para o mínimo? Vote!)

Saiba como é a política de reajuste do salário mínimo)

(Veja imagens do debate sobre o mínimo)

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), lembrou que ainda havia 40 oradores inscritos para discutir o tema. As vaias e gritos de sindicalistas contra os deputados que defendem os R$ 545 irritaram alguns parlamentares. A Mesa pediu que os manifestantes se comportassem. O líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), reclamou, até porque os petistas são mais os criticados, porque defendem a proposta do governo.

- Isso não é a casa da Mãe Joana! - disse um deputado.

Outro parlamentar chegou a pedir que as galerias fossem esvaziadas, o que gerou protestos.

- Democracia! Democracia! - gritaram os sindicalistas.

O líder do PSOL, deputado Chico Alencar (RJ), ressaltou que a CUT, fundada por dirigentes petistas como o ex-presidente Lula, não estão na Câmara.

- Onde está a CUT? - ironizou Chico Alencar.

O relator do projeto e ex-presidente da CUT, deputado Vicentinho (PT-SP), iniciou seu pronunciamento com uma saudação aos sindicalistas que ocupam quase a totalidade das galerias do plenário. Afinado com o governo, Vicentinho disse que qualquer que seja o resultado da votação o movimento sindical pode se considerar "vitorioso".

- Quero saudar meus irmãos sindicalistas neste momento importante na nossa caminhada (...) Quero deixar muito claro que o resultado dessa votação de hoje será de qualquer forma uma vitória para os trabalhadores - disse Vicentinho.

O relator disse ainda que a expectativa é que o novo salário mínimo passe a vigorar a partir de 1º de março.

Enquanto Vicentinho falava na tribuna, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, distribuía no plenário moedas de R$ 0,50 ampliadas em papelão. O objetivo é mostrar que esse seria o impacto diário caso fosse aprovado o mínimo de R$ 560 e não R$ 545, como quer o governo. Ao final de sua exposição, Vicentinho foi vaiado pelos sindicalistas.

Eles disseram: vá lá e defenda o cumprimento do acordo. Essas vaias que aconteceram vão se transformar em aplauso, quando o mínimo chegar a R$ 616, daqui a dez meses

Vicentinho (PT-SP) fez questão de dizer que nas galerias não estavam seus colegas de CUT, entidade da qual foi presidente. Vicentinho defendeu o projeto do governo, que fixa o mínimo em R$ 545, e disse que o movimento sindical acabará "aplaudindo" a proposta do governo, porque, em 2012, o mínimo valerá R$ 616, segundo previsões da própria Fazenda.

- A CUT não está lá (nas galerias). Esse povo nunca me apoiou para nada - foi a primeira reação de Vicentinho.

Em seguida, fez questão de dizer que respeitava o movimento sindical e que, ao final, todos aprovam a política de reajuste do salário mínimo iniciada em 2007 e agora fixada até 2015, inclusive. Vicentinho disse que conversou com vários dirigentes da CUT e todos disseram que ele deveria aceitar o cargo de relator e defender a política de reajuste do mínimo.

- Eles disseram: vá lá e defenda o cumprimento do acordo. Essas vaias que aconteceram vão se transformar em aplauso, quando o mínimo chegar a R$ 616, daqui a dez meses. É um projeto de lei que fixa regras para quatro anos - disse o deputado.

A votação desta quarta-feira vai funcionar como o primeiro teste para o governo demarcar o tamanho da base aliada na Casa. Pelo acordo dos líderes, ela se dará de forma nominal, com o registro de votos dos deputados no painel eletrônico. A previsão é de que a sessão entre noite adentro. O mapeamento dos votos dos deputados será usado, inclusive, como critério no loteamento político dos cargos de 2º e 3º escalões.

PDT libera bancada para votar o mínimo

O PDT irá liberar sua bancada de 27 deputados na votação do aumento do salário mínimo. A informação foi dada pelo presidente interino do PDT, Manoel Dias, que participa de reunião com deputados do partido na Câmara. Das legendas da base aliada do governo Dilma, o único que ainda resiste a apoiar oficialmente o valor de R$ 545 é o PDT.

- O partido vai liberar a bancada para que cada um vote de acordo com sua consciência - disse Manoel Dias, negando que a presidente Dilma ou o Palácio do Planalto tenha feito ameaças de demitir o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT: - Não há nenhuma ameaça.

Apesar de confiante, Vaccarezza diz que não irá ‘baixar as armas’ na votação

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), está confiante na vitória na votação do projeto que reajusta o salário mínimo em R$ 545. Mas ele evitou cantar vitória, disse que o governo continua pedindo votos a base aliada. Para Vaccarezza, o governo está em uma situação confortável.

 

- Nós estamos confiantes, mas não vamos baixar as armas porque é fácil fazer demagogia com o salário mínimo. A situação do governo é confortável. Devemos aprovar com pouco menos de 300 votos, mas teremos cerca de 80 votos a mais dos que os que são contra.

Vaccarezza negou que o governo esteja negociando cargos na votação do mínimo:

 

- É uma irresponsabilidade. Quem fala que o governo faz barganha não está sendo sério.

Em relação do PDT, o líder disse que espera que a legenda vote com o governo. Indagado sobre medidas que podem ser tomadas caso isso não acontecer, ele respondeu:

 

- Não está na minha alçada – disse Vaccarezza, ressaltando que o assunto deve ser conversado depois, dependendo da votação.

PMDB promete votar em peso com o governo

Os peemedebistas parecem ter entendido bem o recado do Palácio do Planalto para aprovar a proposta de reajuste do mínimo de R$ 545. De olho na retomada das nomeações para o segundo e terceiro escalões do governo federal, o partido quer mostrar sua força e peso na votação do mínimo.

- Quando o PMDB vai em peso para uma votação e mostra sua unidade, mostra também a sua força. Se tivermos consciência disso e acolhermos essa ideia, o PMDB voltará a ser o antigo MDB do passado – disse o vice-presidente Michel Temer, em reunião com a bancada do partido.

O ministro do Turismo, Pedro Novais, que também participou da reunião da bancada peemedebista, reforçou o apelo de Temer ao admitir que sua presença na equipe da presidente Dilma Rousseff se devia ao peso do PMDB.

- Não se esqueçam! Eu só sou ministro por causa do PMDB. E estou lá para servir. Servir o PMDB, seus parlamentares, outros políticos e, claro, para fortalecer o turismo no país - afirmou o ministro, destacando que reservara espaço em sua agenda, todas as quartas, para receber parlamentares no ministério.

Defensor de um salário mínimo de R$ 560, o líder do DEM, deputado ACM Neto (BA), admitiu que o governo é favorito na votação e criticou a forma como a presidente Dilma Rousseff está tratando a questão. Para ACM Neto, o governo deixou de lado o debate técnico e econômico sobre o mínimo e querendo fazer um teste sobre a lealdade da base aliada.

- Essa disputa, há muito tempo, deixou de lado o debate econômico sobre o mínimo. Isso se tornou um enfrentamento político, uma questão de força política. Ela está testando a sua base - disse ACM Neto.

Perguntado se a oposição já admitia a derrota, ACM respondeu:

- O governo é favorito, todo mundo sabe disso.

Manifestações na Câmara têm trenzinho e marchinha de carnaval

Os manifestantes em defesa de um salário mínimo de R$ 560 fizeram barulho no início da tarde desta quarta-feira. Durante entrevista do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), um grupo de 50 pessoas começou a cantar marchinhas de Carnaval e até mesmo a fazer um trenzinho, passeando pelo Salão Verde, reivindicando um aumento maior do mínimo. Escolheram, providencialmente, o trecho "ei, você aí, me dá um dinheiro aí", da tradicional marchinha carnavalesca. Antes, fizeram a paródia de um refrão de outra música, para criticar o governo.

- Você pagou com traição ao trabalhador que sempre lhe deu a mão - repetiam os manifestantes.

Já o PSOL levou um carrinho de compras para o Salão Verde da Câmara, com alimentos da cesta básica, mostrando o que seria possível comprar se o salário mínimo fosse aumentado para R$ 700,00, como defende emenda apresentada pelo partido ao projeto enviado pelo Executivo e que prevê o mínimo de R$ 545,00. Além do carrinho, onde há destaque para o aumento de 155,00 a mais no salário que está sendo proposto pelo governo, os parlamentares do PSOL também mostraram uma pequena cesta, com a quantidade de alimentos a mais que será possível comprar se o aumento defendido pelas centrais sindicais, de R$ 560,00, for aprovado (R$ 15 reais a mais do que propõe o governo).

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COMENTÁRIOS

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pq ñ sabe escolhe o candidato por uma telha o povo brasileiro se vende ......ten todo mesmo q se ferra cada vez q fazer escolha errada por se vender isso e cada vez pior pra vcs toma vergonha e ñ se vender por 10 reais que voto mais barato ñ ve as consequencias depois dos proprios filhor e que paga isso e muitooooooo bjssssssssssssssss elis ñ sao vagabundos e povo q escolhe errada toma povo besta
rsrrsrsrsrrsrsrs ITABELA

PRA EESA RAÇA DE VAGABUNDO ELES SABEM AUMENTAR O QUANTO QREM, MAS NÓS TRABALHADORES É ESSA PORCARIA........ E A PREFEITURA QUE TA DEFASADA DESDE DE DINO PEREIRA AINDA É PIOR!!!!!!!!!
ITABELA