
Por ocasião de debates anteriores, já observei neste blog que existe uma diferença entre ser o melhor e vencer o debate. Não adianta ter tido o desempenho mais robusto se o telespectador achar o contrário. Que Aécio teve uma performance superior à de Dilma no confronto da TV Bandeirantes da noite desta terça, isso me parece evidente. Seja porque argumentou com mais clareza — Dilma não é exatamente uma grande oradora —, seja porque procurou falar do país que teremos não daquele que tivemos.
Não que o PSDB precise se envergonhar de sua história. Afinal, um partido que tem no currículo o Plano Real, a estruturação do SUS e a criação dos programas depois apelidados de “Bolsa Família” pode se orgulhar de seu passado. Ocorre que o bem e o mal que tucanos e petistas fizeram ao Brasil ficaram para trás. Servem, sim, para instruir o futuro, mas não mais do que isso. Infelizmente — e lamento pelo país —, o PT luta apenas para contar uma versão dessa história — a sua. Parece não ter mais nada a oferecer.
O embate, desta feita, foi duro. O momento mais tenso foi quando Aécio pediu que Dilma olhasse nos seus olhos e disparou: “Não seja leviana. A senhora está sendo leviana”. A petista se calou. Ela o havia acusado de construir um aeroporto em terras de familiares, o que, de fato, é falso, já que a área tinha sido desapropriada. Tanto é assim que o Ministério Público recusou a denúncia criminal, e o Tribunal Superior Eleitoral proibiu que a campanha de Dilma explorasse o assunto no horário eleitoral.
A petista sacou o aeroporto quando ficou sem resposta diante das evidências de corrupção na Petrobras. Aécio acusou a adversária de não demonstrar indignação e cobrou uma, como direi?, inverdade que ela vive repetindo: a de que demitiu Paulo Roberto Costa da Petrobras. Não! Ele é que pediu demissão, e a ata que registra a sua saída o saúda pelos serviços prestados. O tucano poderia ter lembrado, adicionalmente, que ela deu um novo emprego a Nestor Cerveró depois que ele já havia deixado a empresa: o de diretor financeiro da BR Distribuidora. Segundo Costa e Alberto Youssef, Cerveró era o operador do PMDB na estatal.
Dilma usou também o Mapa da Violência para afirmar que, na gestão Aécio, o índice de homicídios disparou em Minas. É falso. Ele governou o Estado entre 2003 e 2010. No período, segundo o Mapa, os mortos por 100 mil habitantes caíram em Belo Horizonte de 57,6 para 34,9; no Estado, de 20,6 para 18,1. Não acreditem em mim, mas no documento citado por Dilma. Eles estão aí abaixo.