Eunápolis - Mil e duzentas mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na manhã desta segunda-feira (28) a Fazenda Cedro, da multinacional Veracel Celulose, no município baiano de Eunápolis. O acampamento foi batizado de irmã Doroti pelas mulheres do MST.
De acordo com a coordenadora Eliane Oliveira dirigente estadual do movimento sem terra, esta é a primeira vez que ocorre uma ocupação de terras, comandada por mulheres trabalhadoras rurais no sul do estado . A ocupação segundo a dirigente não e só para demarcação de terras. As camponesas reivindicam uma audiência com as autoridades do estado para discutir o acesso aos direitos básicos como: saúde, educação, moradia, transporte e saneamento, que vem sendo negados pelos municípios e pelo estado ás famílias acampadas.
Outra dirigente estadual Lucinéia Durans classificou a fazenda como uma terra de agro negocio uma área de monocultura onde se produz eucalipto, madeira para extração da celulose, “Na nossa região como em todo o mundo não se come eucalipto” enfatizou a dirigente do movimento. Segundo Lucinéia nos últimos dois anos foram feitas várias articulações com os órgãos responsáveis sendo eles do governo federal representado pelo INCRA e poderes dos estados e locais como prefeitura, porém, muitos dos compromissos não foram cumpridos e hoje a situação está complicada, pois direitos básicos estão sendo negados a essas famílias. As mulheres prometem permanecer mobilizadas até que as reivindicações sejam atendidas
Nossa equipe de reportagem conversou com Vilma Mesquita do setor de produção regional do movimento Sem Terra, que deixou claro que os assentamentos estão buscando sobreviver da terra através da produção. Vilma disse que quem faz a reforma agrária é o povo, “O que estamos fazendo é tentando acessar os direitos básicos do trabalhador” a mobilização de mulheres de 26 assentamentos faz parte da programação do Dia da Mulher, que acontece no dia 8 de março. Vilma afirma que as ocupantes já montaram as barracas de lona, derrubaram os pés de eucalipto do terreno e iniciaram o plantio de feijão. As mulheres prometem permanecer no local até que sejam atendidas, “ Por isso cobramos o que nos é de direito, pedimos aos cidadãos destes municípios, responsáveis pelas políticas públicas nos atendam e respondam as nossas necessidades, que já foram apresentadas há mais de ano e ainda não foram cumpridas”