
Laudo sobre causa do acidente não foi concluído, mas técnicos da Cemig confirmam que serpentina metálica poderia sim provocar um acidente grave.
A cidade mineira de Bandeira do Sul começou a semana entre lágrimas e muito inconformismo. Segundo os bombeiros e a empresa distribuidora de energia em Minas Gerais, um tipo de serpentina, lançado em uma festa pré-carnavalesca, foi a causa mais provável da descarga elétrica que matou 15 pessoas nesse domingo (27).
A cidade de cinco mil habitantes, no sul de Minas Gerais, precisou do ginásio de esportes para velar sete, das 15 pessoas, que morreram nesse domingo durante o acidente com o trio elétrico. “Deram a notícia de que ela tinha tomado um choque. Levaram ela para o hospital com vida ainda, mas infelizmente não conseguiram salvá-la”, conta Franciele Fred, irmã de uma vítima.
Imagens, feitas um pouco antes do acidente, mostram a multidão se divertindo. São mais de mil pessoas - a maioria jovens. Durante o trajeto, jatos d'água refrescam os foliões. De repente, ocorre uma explosão. Começa a correria, e se espalha o pânico. Testemunhas contaram como tudo aconteceu.
O trio elétrico passava por uma rua, quando alguém jogou para o alto uma fita metálica. A fita tocou a rede de alta tensão, e houve curto-circuito. Um dos fios arrebentados caiu sobre o caminhão, que funcionou como condutor de energia. O campo elétrico de mais de 13 mil volts atingiu todos que estavam em volta.
O laudo sobre a causa do acidente ainda não foi concluído, mas técnicos da Companhia de Energia Elétrica de Minas Gerais (Cemig) confirmam que uma serpentina metálica poderia sim provocar um acidente grave com esse.
“É um material que oferece condutividade para corrente elétrica. Então, ele por si só já é um risco tremendo para quem está em contato com ele”, explica o engenheiro da Cemig Adelino Leandro.
Quem encostou no caminhão ou quem estava muito perto foi eletrocutado. Os corpos molhados aumentaram ainda mais o impacto da descarga elétrica. Dezenas de pessoas espalhadas pelo chão. Desesperados, alguns tentam, ali mesmo, reanimar amigos enquanto o socorro não chega. “Foi tão forte o tranco que a carga elétrica vinha e voltava. Foi horrível”, diz uma jovem.
Catorze pessoas continuam internadas. Quatro, em estado grave.