
Um grupo de 1.700 trabalhadores rurais sem terra acampou, nesta terça-feira (5), na sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Salvador (BA).
A ação faz parte da jornada anual de invasões e protestos chamada de "Abril Vermelho", que lembra o massacre de Eldorado dos Carajás (PA), onde 19 agricultores foram mortos pela polícia em 1996.
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Os manifestantes, liderados por organizações como MLT (Movimento de Luta pela Terra) e Luta Camponesa, entregaram uma pauta com 15 reivindicações, como a liberação de mais recursos para a criação assentamentos no Estado. O governo baiano formou uma comissão para negociar com o grupo.
Na Bahia, integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) já promoveram a invasão de cerca de 30 fazendas, desde o último sábado (2). Ao longo do "Abril Vermelho", o MST pretende atingir 50 propriedades em todo o Estado.
Na segunda-feira (4), o Exército impediu que um grupo de manifestantes invadisse uma área da Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) no município de Paulo Afonso (BA). A rodovia BR-110 foi interditada por quase duas horas, mas não houve confronto.
Segundo Márcio Matos, um dos coordenadores do MST na Bahia, os agricultores negociaram com a companhia, que deve ceder em breve duas áreas para o grupo acampar. Após a reunião, os manifestantes retornaram ao acampamento no município vizinho de Jeremoabo (BA).
O movimento quer uma reunião com o governo federal para discutir a reforma agrária e cobrar mais assentamentos e melhorias nos que já foram criados.
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Agrário afirmou que o governo federal "sempre esteve aberto ao diálogo com todos os movimentos sociais" e que os "recursos para obtenção de terras para fins de reforma agrária estão preservados"