A greve nas universidades federais, o corte de R$ 10,2 bilhões no orçamento e as disputas políticas dificultam a gestão do ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, há cinco meses no posto.
Além da possibilidade de ter seu comando alterado na reforma administrativa em estudo, a pasta tornou-se palco de disputa por espaço entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.
Em conversa com aliados, segundo relatos à Folha, Janine tem reclamado da falta de autonomia e da influência da Casa Civil. Segundo assessores, há interferência de Mercadante em temas como a paralisação de docentes e o Ciência sem Fronteiras.
O ministro nega ter criticado Mercadante (leia texto abaixo), mas as queixas foram confirmadas por cinco interlocutores de Janine.
RAIO-X DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - Pasta foi das mais atingidas pelos cortes do governo federal
Mercadante deixou o MEC em 2014, mas manteve um aliado: o secretário-executivo Luiz Cláudio Costa, com quem despacha semanalmente, segundo apurou a reportagem. Ao mesmo tempo, ele mantém entre seus auxiliares dois ex-secretários do ministério.
Para marcar posição, Lula indicou para a chefia de gabinete de Janine um assessor próximo, o ex-secretário-executivo do Ministério das Comunicações Cezar Alvarez.
Janine assumiu o comando da pasta em abril, após a saída conturbada do ex-governador do Ceará Cid Gomes. Professor de filosofia da USP, seu nome teve o apoio do ex-presidente, insatisfeito com o poder de Mercadante.