Desmatamento: A falta de água começa aqui

redação - 21/10/2015 - 08:21


O Greenpeace protestou hoje pelo fim do desmatamento em uma área recém-destruída no sul de Roraima (ver mapa abaixo). Pelo menos 4 mil hectares foram desmatados no Estado nos últimos seis meses. Enquanto a floresta cai, o sudeste do Brasil passa pelo mais grave colapso hídrico da história, com os reservatórios registrando níveis muito abaixo da média para a estação chuvosa.

A mensagem "A falta de água começa aqui", colocada em uma área do tamanho de 504 campos de futebol de mata queimada e destruída, é uma lembrança importante de que as florestas são fundamentais para assegurar o equilíbrio do clima e parte vital do ciclo da água. Sem floresta não tem água.

Em expedições de monitoramento da paisagem a partir da análise de alertas do desmatamento do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento) do Imazon, o Greenpeace comprovou a derrubada de grandes extensões de floresta na região da BR-174, que liga Manaus, no Amazonas, a Boa Vista, em Roraima, além de queimadas e muita extração de madeira.

A retirada de madeira costumar ser o primeiro passo no ciclo de destruição da floresta. Geralmente, o que acontece depois é a remoção da mata por completo para abrir espaço para outras atividades econômicas, como pecuária e soja.

A situação em Roraima é tão caótica que chega a ser pitoresca. Investigações da Polícia Federal revelaram um esquema criminoso de exploração de madeira envolvendo empresas, proprietários rurais, servidores públicos e engenheiros florestais.

Entre as principais irregularidades estão fraudes no sistema de controle e transporte irregular de madeira – como um caminhão que consegue transportar madeira para duas áreas diferentes ao mesmo tempo ou uma super motocicleta de 250 cilindradas capaz de transportar 41 metros cúbicos de madeira – o equivalente a 41 caixas d'água de mil litros cheias!

A estiagem está mostrando um de seus lados mais trágicos: nascentes de vários rios importantes da região noroeste paulista desapareceram e várias outras estão secando. Pesquisadores da Unesp da região de São José do Rio Preto (SP) visitaram mais de 50 nascentes e córregos e alertaram para a importância da preservação.

Segundo eles, onde a água nascia em abundância, agora nem sinal dela. Em 2003, os pesquisadores recolheram amostras de dezenas de córregos e nascentes do interior de São Paulo. Agora, eles voltaram a esses locais e constaram que a situação piorou muito. “Em uma década de diferença, conseguimos quantificar que 81% desses riachos anteriormente mostrados, perderam qualidade aquática de maneira geral e perderam volume de água”, explica a pesquisadora Lilian Casatti.

Das 54 nascentes documentadas na pesquisa, 34 têm menos da metade de água que tinham há dez anos. O estudo também aponta que 29 fontes de água estão secas. É o caso da nascente do rio São José dos Dourados, um dos mais importantes rios da região noroeste de São Paulo. Até pouco tempo atrás, a área toda era coberta de água, mas a nascente simplesmente desapareceu e deu lugar a um caminho tomado pelo lixo.

Queimadas e desmatamentos deixaram de ser um problema restrito às fronteiras agrícolas e ao Arco do Desmatamento e passaram a atingir todos os Estados. Esta é uma das principais conclusões da pesquisa divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que investiga o meio ambiente nos 5.560 municípios brasileiros.

Os dados são de 2002, mas a pesquisa sobre as condições ambientais nos municípios é inédita e aponta tendências e problemas nas diferentes unidades da federação.

O estudo conclui que, embora as queimadas e os desmatamentos sejam mais freqüentes no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, elas se tornaram um problema generalizado: prefeituras de todas as unidades da federação informaram a ocorrência deste tipo de agressão ao meio ambiente.

A exceção ficou por conta da Amazônia Ocidental (parte do Amazonas, sul de Roraima e parte do Acre) onde municípios contíguos que abrangem grandes extensões de terra não informaram aos pesquisados terem se defrontado com queimadas ou desmatamentos.

A pesquisa detectou a ocorrência de duas novas frentes de desmatamento. Os focos ainda não são visíveis em fotografia por satélite, mas já causam preocupação entre os prefeitos. Os novos focos podem estar localizados no Amapá e no norte do Pará.

Segundo o IBGE, outro bioma sob ameaça é o cerrado do oeste da Bahia. Nesta região, muitos gestores reportaram ocorrências de queimadas e desmatamentos que alteraram a qualidade de vida e a paisagem. Para o instituto, este pode ser um sinal da expansão agropecuária que já substituiu parte dos cerrados que existiam no Brasil Central por plantações de soja.

A pesquisa não se limita a apontar os problemas, mas também verifica como a ocorrência de interferências no meio ambiente recebe tratamento distinto nas regiões brasileiras. Se na Amazônia e no Pará o surgimento de queimadas é visto como sinal de degradação ambiental e fator de preocupação, em outras regiões do país as queimadas são associadas à chegada do progresso e ao desenvolvimento econômico.

Nestes casos, os gestores omitem as informações sobre queimadas com receio de que isso prejudique empreendimentos madeireiros, agropecuários e de mineração na região. Os casos mais significativos desta prática foram verificados ao longo da BR 163 (Cuiabá-Santarém), ao norte do Mato Grosso e a oeste do Tocantins, inclusive nas áreas do Arco do Desmatamento.

O Arco do Desmatamento compreende a área ao sul e leste da Amazônia, abrangendo municípios do sudeste do Acre, de Rondônia, do norte de Mato Grosso, sul e leste do Pará e oeste do Maranhão.

A pesquisa mostra uma correlação entre queimadas e desmatamento. Entre os 1.009 municípios que apontaram desmatamentos alterando as condições de vida da população, 68% apontaram a ocorrência de queimadas. Entre os 948 municípios que indicaram a existência de queimadas, 72% apontaram também a ocorrência de desmatamento.

Entre os municípios que apontaram estes problemas, apenas um terço tomou providências para tentar combatê-los. Apenas 10% dos municípios que relataram a existência de queimadas e desmatamento receberam dos governos estaduais a gestão dos recursos florestais.

Outro dado significativo é que 81% dos municípios com estes problemas possuem órgão ambiental específico. Para o IBGE, desta forma o incentivo ao compartilhamento de responsabilidades pode ser mais eficaz entre a união, os Estados e os municípios.

 

 

 

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COMENTÁRIOS

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setuaçAo do povo e doloroza. e isso tambem ue cuLpo. os nossos governantes do nosso pais que nâo culpre a a lei da forma correta
morador montinho

A falta D'Água se deve aos desmatamentos e também aos plantios de eucaliptos, infelizmente existe uma conspiração de controle da água por parte das mega empresas, no Brasil podemos sitar a coca cola ou a parmalate. Esse sistema de concessão pode privatizar a água.
leo