PSDB oficializa o pede de afastamento de Cunha.

redação - 11/11/2015 - 21:15


Irritada com a demora do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em dar andamento ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, a bancada do PSDB elevou o tom e oficializou nesta quarta-feira o pedido de afastamento do peemedebista do comando da Casa.

A decisão ocorre depois que Cunha apresentou sua defesa à imprensa sobre os negócios que irrigaram suas contas secretas no exterior. Para os tucanos, a manifestação de Cunha foi um "desastre", "inconsistente" e seria melhor se ele permanecesse em silêncio.

"Essa defesa acabou se tornando um desastre. Ele não se explicou, não convenceu nem a bancada do PSDB nem o país. Ele fez alegações soltas, sem consistência e sem o necessário respaldo de provas", afirmou o líder do PSDB, Carlos Sampaio. A bancada se reuniu na noite desta terça para tomar a decisão. Sampaio vinha sendo pressionado pelos tucanos a se manifestar de forma mais contundente contra o encrencado Eduardo Cunha.

Para o Ministério Público, Cunha manteve contas no exterior que serviam para abrigar dinheiro de propina proveniente do escândalo de corrupção da Petrobras. Nos bastidores, no entanto, o partido continuava dando um apoio velado ao peemedebista por entender que ele seria personagem-chave para dar andamento ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Mas, depois da explicação de Cunha de que o dinheiro não seria fruto de corrupção, mas sim da venda de carne enlatada na África, e da falta de documentações para embasar a defesa, a bancada decidiu reforçar o posicionamento.

Apesar de planejar pedir formalmente o afastamento de Cunha em manifestação no plenário, o PSDB afirma que não tomar novas medidas contra o peemedebista ou tampouco pressioná-lo a deixar o cargo. "Não há necessidade de fazê-lo. Ele já está sendo julgado. O nosso foco é a Dilma. Queremos iniciar o processo de impeachment. O do Cunha não só se iniciou como tem data marcada para a entrega da defesa e julgamento marcado. Não vamos perder nossos esforços cuidando de alguém que já está para ser julgado", afirmou Carlos Sampaio. Internamente, a bancada chegou a discutir medidas mais duras, como entrar em obstrução até que Cunha deixasse o posto, mas houve o entendimento de que isso iria "parar a Casa".

Impeachment - A nova ação contra Cunha está fortemente ligada às articulações em torno do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A oposição passou a questionar a sustentação dada ao peemedebista depois que ele começou a fazer acenos ao Planalto, em um jogo de salvação mútua: o governo evitaria a cassação de Cunha no Conselho de Ética, enquanto ele paralisaria qualquer processo contra a petista. "Eles estão num jogo de empurra, e não dá mais para ficar nesse jogo. Não dá mais pra esperar a conveniência para um assunto grave como esse. Dois pesos, duas medidas", resumiu o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT).

Outros dois partidos de oposição - PPS e DEM - ainda estudam se vão acompanhar o PSDB em outra investida contra Cunha. A coletiva na manhã desta quarta-feira foi vista como um "atropelo" comandado por Carlos Sampaio, já que as outras manifestações públicas contra Cunha haviam sido tomadas em conjunto entre as legendas oposicionistas.

O entendimento é que se todos os opositores ao governo o abandonarem, Eduardo Cunha verá seu futuro político nas mãos de deputados petistas, que representam a maior parte das assinaturas que gerou a ação no Conselho de Ética. "Quero vê-lo no colo do PT. Será que vão realmente salvá-lo?", disse um deputado de oposição, referindo-se ao pedido do ex-presidente Lula para a bancada poupar o presidente da Câmara e manter o foco na aprovação do ajuste fiscal. Interlocutores de oposição acreditam que com as ameaças de abandono podem acabar pressionando ainda mais o peemedebista a tomar uma decisão sobre o imp

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