
Rio de Janeiro, Brasil — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou neste domingo (15) um episódio que pode virar um terremoto político e judicial no país — e tudo isso na avenida mais famosa do mundo: a Marquês de Sapucaí.
Enquanto assiste ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, cuja homenagem exaltou sua trajetória e até teve gritos de “Olê, Olê, Lula, Lula” entre foliões, o Tribunal Superior Eleitoral alertou que o caso ainda pode resultar em punições graves por propaganda eleitoral antecipada — apesar de ter autorizado o desfile.
🎭 Festa Popular ou COMÍCIO VELADO?
A escola de samba Acadêmicos de Niterói abriu o Carnaval do Grupo Especial do Rio com um enredo dedicado à vida e carreira do presidente — em plena fase pré-eleitoral da campanha de 2026. A homenagem foi financiada por milhões em recursos públicos e parcerias de governos municipais e estaduais, algo que críticos dizem cruzar a linha entre cultura e política.
Partidos como o Novo e Missão levaram o caso ao TSE, pedindo que o desfile fosse proibido por configurar propaganda antecipada. A corte rejeitou o pedido de liminar por unanimidade — mas deixou clara uma advertência: o processo continua aberto e Lula ainda pode ser responsabilizado depois do desfile.
⚖️ TSE: AUTORIZA, MAS NÃO LIMPA A FAMA
A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, comparou a situação a uma “areia movediça”, avisando que quem entra pode afundar”. Analistas políticos avaliam que, se ficar comprovado que houve propaganda eleitoral irregular, Lula pode até enfrentar multas ou outras sanções eleitorais.
📊 Tensão Política NAS ALTURAS
Enquanto Lula assistia ao desfile acompanhado por aliados — em meio a aplausos e também vaias da plateia na Sapucaí — opositores radicais pedem ações extremas, incluindo cassação de candidatura ou inelegibilidade. Nas redes sociais, líderes do Novo já afirmaram que vão pedir a mais dura penalidade possível, argumentando que a festa virou palanque eleitoral disfarçado.
Por outro lado, o PT orientou seus militantes a não exibir qualquer manifestação claramente eleitoral durante a apresentação — proibindo, inclusive, slogans de campanha ou menções ao número “13”, símbolo histórico do partido, para tentar neutralizar acusações imediatas de propaganda irregular. Mesmo assim, o pedido foi ignorado, e artistas e foliões estamparam o nome Lula, fazendo o “L” e gritando palavras de ordem em tom eleitoral.
🚨 O CALENDÁRIO ELEITORAL BATE NA SAPUCAÍ
Segundo a legislação eleitoral brasileira, a campanha eleitoral só começa oficialmente em 15 de agosto — mais de seis meses depois do desfile. Isso é justamente o cerne da briga jurídica: se um evento com presença do presidente e uso de símbolos políticos antes desse prazo é permitido ou se é uma propaganda antecipada proibida.
📌 CONCLUSÃO
O Carnaval de 2026 atravessou uma nova fronteira: virou palco de batalha jurídica e política entre o presidente da República e o TSE. Embora o desfile tenha ocorrido, a história está longe de acabar — e, nos próximos meses, juízes eleitorais podem decidir se aquilo que foi samba pode virar multa, impeachment simbólico… ou até uma pizza judicial.
Políticos de oposição entraram com várias representações contra a escola e o presidente Lula. As ações questionam o Termo de Colaboração firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), no valor de R$ 12 milhões (R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial), destinado oficialmente à promoção internacional do carnaval do Rio de Janeiro como produto turístico.
Para os parlamentares, parte desses recursos estaria sendo utilizada para viabilizar um desfile com caráter personalista e político, o que configuraria desvio de finalidade e violação aos princípios da administração pública. Já o Partido Novo acusa Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a escola de propaganda eleitoral antecipada e pede punição ao presidente e à escola com multa de R$ 9 milhões.
Como mostrou o Estadão, o quadro técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) também recomendou a suspensão desse repasse. Segundo documento do TCU, o Ministério da Cultura aparece como interveniente no Termo de Colaboração em nota pública, mas essa condição não está formalmente prevista no instrumento contratual. O TCU pediu explicações sobre o papel do ministério no acordo, e os parlamentares também direcionam o questionamento ao órgão.
O Ministério do Turismo esclareceu que, neste ano, os repasses federais para as escolas de samba são de competência da Embratur e do Ministério da Cultura. Procurados, o Ministério da Cultura, a Embratur e a Liesa ainda não haviam se manifestado até a publicação da reportagem. A Secretaria de Comunicação da Presidência, Lula não se manifestou sobre as falas e ações na justiça.
A ação popular ainda será analisada pela Justiça Federal. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a representação foi distribuída ao ministro André Mendonça, que poderá decidir sobre o pedido de liminar ou submeter a questão ao plenário. Em seguida, os representados serão intimados para se manifestar, e o caso ainda passará pela análise do Ministério Público Eleitoral antes do julgamento definitivo.