Justiça aceita denúncia e mantém preso ex-deputado Uldurico acusado de esquema de suposta propina de R$ 2 milhões para fuga de detentos. Operação revela corrupção e facilitação de fuga no Conjunto Penal de Eunápolis

Giro de Noticias - 18/04/2026 - 18:47


A Justiça da Bahia recebeu denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado da Bahia contra investigados por envolvimento em um esquema de corrupção e facilitação de fuga no Conjunto Penal de Eunápolis. A decisão também determinou a prisão preventiva dos acusados, diante da gravidade dos fatos apurados.

De acordo com o processo nº 8001937-40.2026.8.05.0079, que tramita na 1ª Vara Criminal de Eunápolis, o juiz entendeu que há indícios suficientes da prática de crimes como corrupção passiva, organização criminosa e facilitação de fuga de presos.

Denúncia aponta pagamento de R$ 2 milhões

Segundo a denúncia, o ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto teria recebido vantagem indevida no valor de R$ 2 milhões, paga por Ednaldo Pereira Souza, apontado como líder da organização criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).

Em troca, conforme os autos, teria havido atuação conjunta com a então diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, para facilitar a fuga de “Dada” e de outros 15 detentos, ocorrida em 12 de dezembro de 2024.

Regalias dentro do presídio

O processo também descreve que, durante a gestão da diretora, integrantes da facção criminosa recebiam benefícios irregulares dentro da unidade prisional, como acesso a eletrodomésticos, alimentação diferenciada e até a realização de velório no interior do presídio.

Ainda segundo a investigação, o ex-deputado frequentava o presídio sem registro oficial e realizava reuniões reservadas com o líder da facção, o que, para o Ministério Público, indica integração à estrutura da organização criminosa.

Investigação teve origem em delação premiada

As apurações tiveram início a partir de um acordo de colaboração premiada firmado com a ex-diretora do presídio, com acompanhamento da Defensoria Pública.

A colaboração revelou detalhes sobre o funcionamento do esquema, incluindo a participação de agentes públicos e a articulação da fuga dos internos, além de outros crimes relacionados.

Organização criminosa e influência política

O Ministério Público sustenta que o ex-deputado utilizou sua influência política para viabilizar o esquema, inclusive por ter indicado a diretora do presídio ao cargo, com quem teve um relacionamento do qual nasceu um filho.

As investigações também apontam que houve intermediação no pagamento da propina e articulação logística para a fuga, além de encontros fora dos protocolos oficiais de segurança.

Prisão preventiva e continuidade das investigações

Ao analisar o caso, a Justiça considerou que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e evitar a continuidade das práticas criminosas, além de impedir interferências nas investigações.

Também foi destacado o risco de influência dos investigados sobre testemunhas e sobre o andamento do processo, especialmente em razão da posição de liderança dentro da organização criminosa.

Além das prisões, foram autorizadas medidas de busca e apreensão, incluindo coleta de dinheiro, documentos e aparelhos eletrônicos, desde que não comprovada a origem lícita dos bens.

Processo segue sob sigilo

A Justiça determinou ainda o sigilo do processo, considerando que parte das provas envolve dados extraídos de aparelhos eletrônicos obtidos mediante autorização judicial.

O caso segue em tramitação, e os acusados ainda terão direito à ampla defesa ao longo do andamento da ação penal.

Operação do MPBA cumpre prisões e mandados de busca

Uma operação conduzida pelo Ministério Público da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em diferentes cidades do estado.

A ação faz parte do mesmo processo que tramita na 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis.

Quem são os presos

Entre os principais alvos da operação, tiveram prisão preventiva decretada:

Uldurico Alencar Pinto – preso no dia 16 de abril de 2026; e Ednaldo Pereira Souza, que se encontra foragido.

Segundo a Justiça, há indícios de envolvimento em crimes como corrupção passiva e participação em organização criminosa.

Alvos de busca e apreensão

Também foram alvos de mandados: Alberto Cley Santos Lima e Matheus da Paixão Brandão.

As diligências ocorreram em diversas cidades da Bahia, incluindo Salvador (bairro Alphaville II), Praia do Forte (em hotel), Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro.

Como foram as ações

De acordo com o Ministério Público, as equipes realizaram buscas em residências e também abordagem pessoal de um dos investigados em hotel.

As ordens judiciais autorizavam a apreensão de documentos, aparelhos eletrônicos, valores em dinheiro e qualquer material relacionado às atividades criminosas investigadas.

Material apreendido

Durante o cumprimento dos mandados, foram encontrados e apreendidos:

Smartphones e celulares

Dispositivos eletrônicos e mídias digitais

Valores em dinheiro (ainda sob apuração)

Documentos e anotações

Uma arma de pressão tipo pistola

Quantidade de substância análoga à maconha

Todo o material foi encaminhado para a delegacia, onde foi registrado boletim de ocorrência e segue sob análise das autoridades.

O que diz a Justiça

A decisão judicial que autorizou as medidas aponta que há elementos suficientes para investigação dos crimes, justificando as prisões preventivas para garantir a ordem pública e o andamento do processo.

Os investigados permanecem à disposição da Justiça enquanto o caso segue em tramitação.

Próximos passos

O processo continua em andamento, e novas fases da investigação não estão descartadas. O Ministério Público deve analisar o material apreendido para aprofundar as apurações e identificar outros possíveis envolvidos.

A ex-diretora Joneuma Silva Neres, que está em prisão domiciliar, firmou acordo de colaboração com o Ministério Público e a Justiça, no qual detalhou como tudo foi arquitetado e que culminou com a fuga dos detentos.

Nesta delação, aparecem nomes de figuras da política da Bahia que o Ministério Público e a polícia estão investigando.

O ex-deputado federal Uldurico Júnior passou por audiência de custódia na manhã deste sábado (18), sob forte escolta da Polícia Penal. A apresentação à Justiça ocorre dias após sua prisão no âmbito da Operação Duas Rosas, e foi mantida a prisão do acusado.

Uldurico foi detido na última terça-feira (14) por agentes da Polícia Federal, em uma mansão de alto padrão localizada na região de Praia do Forte. A ação foi desencadeada a partir da delação da ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma Silva Neres.

O ex-deputado federal Uldurico Júnior após a audiência de custódia na manhã deste sábado (18), em Salvador, foi transferido para uma cela comum no Complexo Penitenciário Lemos Brito.

A mudança ocorreu depois de o político permanecer inicialmente no Centro de Observações Penais (COP), unidade destinada a custodiados que necessitam de avaliação ou cuidados específicos.

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