
Uma operação integrada das polícias Militar e Civil da Bahia frustrou, na madrugada desta quinta-feira (29/01), uma tentativa de resgate de detentos no Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul do estado. O confronto terminou com oito suspeitos mortos, um policial militar ferido e a apreensão de armas, carregadores e munições em uma área de mata fechada próxima ao Rio Jequitinhonha, no bairro Renovação.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o grupo se preparava para atacar o presídio quando foi interceptado após ações de inteligência identificarem movimentações suspeitas na região.
Cerca de 20 a 25 homens estavam acampados em uma área de mata nos fundos do bairro Parque da Renovação, em Eunápolis, quando foram surpreendidos pela polícia. Oito morreram no confronto, e os demais conseguiram fugir, levando armas de grosso calibre, como fuzis e outras.
O caso traz à tona a lembrança da fuga de 16 detentos registrada em dezembro de 2024 na mesma unidade prisional, episódio que teve repercussão nacional e resultou em mudanças no comando do sistema penitenciário. Desde então, apenas um foragido foi recapturado. Dois morreram em confrontos policiais e 13 continuam foragidos.
Confronto em área de mata
Segundo a SSP-BA, as equipes cercaram o grupo em uma região de vegetação densa. Durante a tentativa de abordagem, os suspeitos teriam reagido a tiros, dando início ao confronto.
Oito homens foram baleados, socorridos para uma unidade de saúde da região, mas não resistiram aos ferimentos. As identidades ainda não haviam sido divulgadas até a última atualização.
Informações preliminares apontam que parte dos integrantes pode ter ligação com traficantes vindos do Rio de Janeiro. A Polícia Civil investiga a origem do grupo, sua estrutura e possíveis conexões com facções interestaduais.
Policial ferido não corre risco de morte
Durante a troca de tiros, um policial militar da Rondesp Sul foi atingido na perna. Ele recebeu socorro imediato e permanece internado em um hospital da região. Segundo a SSP-BA, o estado de saúde é estável e ele não corre risco de morte.
Arsenal apreendido
Na área onde os suspeitos estavam escondidos em um acampamento na mata, foram encontradas armas de fogo, carregadores e grande quantidade de munições, ocultados em meio à vegetação.
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Todo o material foi encaminhado para perícia e deve ajudar a Polícia Civil a identificar quem financiou a ação, como o grupo se organizou e se há outros envolvidos na tentativa de resgate.
Segurança reforçada na região
Após a ocorrência, o policiamento foi intensificado em Eunápolis e cidades vizinhas. Ações ostensivas e de inteligência seguem em andamento para localizar possíveis remanescentes do grupo e impedir novas investidas contra o sistema prisional.
Equipes especializadas também trabalham no mapeamento de rotas usadas por criminosos e na identificação de movimentações de facções na região.
Participação da população
A SSP-BA reforçou que informações sobre esconderijos, armas ou integrantes de organizações criminosas podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia 181.
Segundo o órgão, a colaboração da população é fundamental para antecipar ações criminosas e enfraquecer grupos que tentam atuar no extremo sul baiano.
Ataque foi evitado antes de acontecer
Fontes da segurança pública apontam que o plano representava alto risco para agentes penitenciários e moradores do entorno do presídio. A ação conjunta das forças policiais teve como objetivo neutralizar a ameaça antes que o ataque fosse executado, evitando uma possível fuga em massa e confrontos em áreas urbanas.
As investigações continuam para esclarecer quem financiou a tentativa de resgate, se há participação direta de facções de outros estados e se ainda existem integrantes do grupo foragidos.
Três dos oito mortos no confronto já foram identificados: Anderson Gabriel Castro das Neves, de 17 anos, conhecido como “Dumbão” ou “Perverso”; João Hélio, o “JH”; e um terceiro homem apelidado de “Andinho” ou “Coruja”.
Segundo a polícia, “Dumbão” possuía um extenso histórico de atos infracionais análogos a crimes como homicídio, tráfico de drogas, ocultação de cadáver, cárcere privado e participação em organização criminosa. Ele também seria apontado como integrante de um chamado “tribunal do crime”. Ainda de acordo com as autoridades, somente neste mês de janeiro o jovem teria trocado tiros com guarnições policiais em pelo menos três ocasiões.
Os outros dois identificados já eram investigados por suposto envolvimento em homicídios e no tráfico de drogas.
A identificação dos demais envolvidos segue em andamento, e as circunstâncias completas do confronto ainda serão detalhadas pelas autoridades responsáveis pela ocorrência.