Jovem dado como desaparecido em Itabela, na Bahia, é preso no ES, suspeito de matar e decapitar idoso em Guarapari. A cabeça da vítima foi encontrada pela polícia.

Giro de Noticias - 12/02/2026 - 12:52


Um jovem que estava desaparecido em Itabela, no sul da Bahia, foi preso no dia 28 de janeiro de 2026), em Guarapari (ES), suspeito de descumprir uma medida cautelar e nesta quarta-feira, 11/02/2026, ele confessou ter matado e decapitado o idoso Dante Brito Michelini, de 76 anos.

Segundo a Polícia Civil, William Silva Manzoli, de 29 anos, é apontado como autor do crime. A cabeça da vítima, que não havia sido localizada na época em que o corpo foi encontrado, também foi recuperada após o próprio suspeito indicar o local onde a descartou.

Crime teria sido motivado por vingança

De acordo com as investigações, William dormia escondido no sítio de Dante, em Guarapari. Ao descobrir a invasão, o idoso teria expulsado o jovem a pauladas. A agressão e o constrangimento público teriam motivado o crime.

Ainda conforme a polícia, o suspeito, William Silva Manzoli, que tem um mandado e prisão em aberto em Itabela, relatou em interrogatório que ficou tomado pela raiva após ter sido agredido e alvo de deboche na vizinhança. Ele teria apanhado do idoso e passado a ser ridicularizado na região, o que, segundo os investigadores, alimentou o desejo de vingança.

relatou em interrogatório que ficou tomado pela raiva após ter sido agredido e alvo de deboche na vizinhança. Ele teria apanhado do idoso e passado a ser ridicularizado na região, o que, segundo os investigadores, alimentou o desejo de vingança.

A polícia acredita que o assassinato tenha ocorrido entre os dias 19 e 20 de janeiro. O corpo de Dante foi encontrado apenas no dia 3 de fevereiro, em avançado estado de decomposição.

Confissão inesperada

Antes mesmo de o corpo ser localizado, o suspeito já havia sido preso por outro motivo. Segundo o delegado José Darcy Arruda, William foi detido no dia 28 de janeiro por descumprimento de medida protetiva.

Nesta semana, ao ser levado para prestar depoimento, ele teria confessado o assassinato de forma inesperada. De acordo com o delegado, a riqueza de detalhes sobre o estado da casa e do corpo reforça a convicção da polícia de que ele seja o autor do crime.

O suspeito também indicou onde havia jogado a cabeça da vítima: em um canal no centro de Guarapari. Ele contou que amarrou a cabeça a pedras para que afundasse. O objeto foi localizado a cerca de quatro metros de profundidade.

Na noite de quarta-feira (11), equipes do Corpo de Bombeiros continuavam as buscas pela arma do crime, que, segundo o suspeito, também foi lançada no canal.

Vítima vivia reclusa

O corpo de Dante foi encontrado decapitado e carbonizado dentro do próprio sítio, após um vizinho acionar a Polícia Militar ao perceber sinais de abandono e destruição no local.

Conhecido como “Dantinho” pela família, ele vivia de forma reclusa desde a morte do pai, Dante Barros Michelini, segundo informou o advogado da família. Em nota enviada à imprensa, Adir Rodrigues Silva Junior, representante de um dos irmãos da vítima, afirmou que os familiares aguardam o avanço das investigações.

A família declarou ainda que não havia qualquer indício de que Dante estivesse sofrendo ameaças.

O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari.

Caso Araceli e o passado da família

O sobrenome Michelini remete a um dos crimes mais emblemáticos do Espírito Santo: o caso Araceli Cabrera Crespo.

A menina, de oito anos, desapareceu ao sair da escola em maio de 1973, em Vitória. Seis dias depois, seu corpo foi encontrado em um matagal. A investigação concluiu que ela foi drogada, violentada, assassinada e carbonizada.

Dois herdeiros de famílias influentes do estado foram acusados pelo crime: Dante Barros Michelini e Paulo Constanteen Helal. Ambos chegaram a ser julgados e condenados inicialmente. No entanto, após recursos, foram absolvidos.

À época, as famílias foram acusadas de usar influência para interferir nas investigações. O crime ocorreu durante o período da ditadura militar no Brasil. O caso prescreveu em 1993 e permanece sem punição.

Em 2023, o Estado brasileiro foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) pela falta de solução do caso. A OEA recomendou a adoção de medidas disciplinares contra agentes públicos que possam ter interferido na investigação.

A data do desaparecimento de Araceli, 18 de maio, tornou-se o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em 2023, o governo do Espírito Santo instituiu a lei do “Alerta Araceli”, que prevê a emissão de alerta emergencial em casos de desaparecimento de crianças e adolescentes no estado.

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