
Mesmo após obter decisão judicial que garantiu a posse do terreno onde vive, uma assentada do Assentamento Margarida Alves, em Itabela, voltou a ser alvo de ataques. Desta vez, criminosos danificaram a cerca da propriedade durante a madrugada.
Rosilda de Jesus Santos afirma que, há mais de três anos, ela e sua família vêm sofrendo perseguições por parte de integrantes do próprio assentamento, localizado na zona rural do município. Segundo relato, o episódio mais grave ocorreu na noite de 14 de novembro de 2024, quando a casa onde morava com o esposo foi derrubada e todos os pertences da família foram furtados.
De acordo com Rosilda, homens encapuzados chegaram ao local em um caminhão branco, carregaram móveis e eletrodomésticos e, em seguida, demoliram a residência de madeira, levando inclusive o material da estrutura. A ação teria ocorrido enquanto a casa estava vazia. Ela suspeita que o crime tenha sido articulado por lideranças do assentamento.
A família vive no lote há cerca de 14 anos e afirma possuir documentação que comprova o direito à posse da área. Após o ocorrido, Rosilda registrou boletim de ocorrência e ingressou com ação judicial. Em 21 de agosto de 2024, a juíza Tereza Júlia do Nascimento, titular da Comarca de Itabela, concedeu sentença favorável à assentada, após os citados no processo não apresentarem contestação, sendo o caso julgado à revelia.
Rosilda denunciou judicialmente Gildazio Souza Trindade e Tiago Souza, que, segundo ela, vinham fazendo ameaças e tentando expulsá-la da propriedade. Ela relata que chegou a temer por sua integridade física.
As imagens da destruição da casa repercutiram nas redes sociais pela violência da ação. Em vídeos, Rosilda mostra as plantações cultivadas na área, como cacau, mandioca, coco, pimenta, urucum e cupuaçu, destacando que a produção agrícola tem ajudado em sua sobrevivência desde 2011.
Novo ataque
Durante esta semana de Carnaval, a assentada voltou a registrar ocorrência após mais um episódio de vandalismo. Segundo ela, homens encapuzados arrancaram as estacas de madeira e cortaram os arames da cerca da propriedade durante a madrugada.
Rosilda afirma que teme por sua vida, mas reforça que não pretende abandonar a terra que conquistou “com muito esforço e trabalho”. Mãe de filhos, ela diz que sonha em reconstruir a casa e retomar a tranquilidade.
Uma nova audiência sobre o caso da demolição da residência está marcada para o próximo dia 24 de fevereiro, poucos dias após o mais recente ataque.
Em contato com a reportagem do Giro de Notícias, Rosilda declarou que não descarta o envolvimento de pessoas ligadas ao movimento no episódio, embora reconheça que ainda não possui provas concretas. “Os fatos são muito evidentes. Como um caminhão entra em um assentamento, retira uma mudança e derruba uma casa sem que ninguém perceba?”, questionou.
O advogado da família reforçou a tese de perseguição e informou que irá solicitar a anexação do novo episódio ao processo já em andamento. Ele também informa que requereu investigação aprofundada dos fatos, além de indenização para reconstrução da casa e ressarcimento dos bens furtados. Segundo o defensor, os responsáveis deverão responder criminalmente.
Rosilda apresentou documentos que, segundo ela, comprovam a legalidade da posse do lote.
A reportagem não conseguiu contato com os dirigentes do Assentamento Margarida Alves. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos sobre o caso.