
ex-deputado federal e ex-candidato à Prefeitura de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior, foi preso nesta quinta-feira (16) durante uma operação da Polícia Federal. Ele foi localizado em um hotel em Praia do Forte, distrito turístico de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador.
De acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), o político é investigado por supostamente negociar o recebimento de R$ 2 milhões com uma organização criminosa para facilitar a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em dezembro de 2024.
Entre os fugitivos está Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção com atuação regional e ligação com o Comando Vermelho. Segundo as investigações, ele estaria atualmente no Rio de Janeiro, de onde continuaria coordenando ações criminosas no extremo sul da Bahia.
O MP-BA afirma que a fuga não foi um episódio isolado, mas parte de uma articulação criminosa estruturada, envolvendo membros da facção e o ex-deputado, com possível uso de influência política e institucional.
A operação, batizada de “Duas Rosas”, faz referência ao valor da suposta propina. Durante as investigações, a palavra “rosa” era utilizada como código para dinheiro em conversas interceptadas.
Além da prisão, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em cidades como Salvador, Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro. Celulares, notebooks e outros dispositivos foram recolhidos. Um ex-vereador e um advogado também são alvos da investigação, mas não tiveram os nomes divulgados.
As apurações também apontam ligação entre Uldurico Júnior e a ex-diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, acusada de facilitar a fuga. Segundo a denúncia, ela mantinha relação com Dadá e teria intermediado encontros entre o líder criminoso e o político.
Ainda conforme o MP-BA, a ex-diretora teria atuado politicamente em favor da facção, enquanto o ex-deputado buscaria apoio eleitoral por meio de internos e seus familiares. Há indícios de que votos teriam sido comprados por cerca de R$ 100.
A fuga ocorreu após os detentos serem colocados na mesma cela, onde tiveram acesso a ferramentas para abrir um buraco no teto. Simultaneamente, um grupo armado invadiu o presídio, atirando contra agentes. Dos 16 fugitivos, 13 seguem foragidos.
A defesa de Uldurico Júnior informou que recebeu as acusações com surpresa, negou qualquer irregularidade e afirmou que o ex-deputado está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Já Joneuma Silva Neres foi presa em janeiro de 2025 e atualmente cumpre prisão domiciliar.