
A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) protocolou na Câmara dos Deputados um projeto de lei que pretende proibir a comercialização das armadilhas adesivas conhecidas como “cola rato” em todo o país.
Segundo a parlamentar, o método é considerado extremamente cruel, pois mantém o animal preso por horas ou até dias, causando sofrimento prolongado até a morte, que pode ocorrer por exaustão, fome ou desidratação. Além disso, o roedor permanece no local urinando e defecando, o que pode transformar a armadilha em um foco de contaminação e risco à saúde pública.
Outro ponto destacado no projeto é a falta de seletividade dessas armadilhas. De acordo com o texto, além de ratos, outros animais, como aves e pequenos mamíferos, podem acabar sendo capturados, ampliando o impacto negativo da prática.
A deputada defende que o controle de pragas deve ser feito por meio de políticas públicas mais eficazes, como investimentos em saneamento básico, coleta adequada de lixo e melhorias na infraestrutura urbana. Para ela, o uso de métodos considerados violentos e ultrapassados não resolve o problema de forma sustentável.
A proposta ainda está no início da tramitação na Câmara e deve provocar discussões entre parlamentares, especialistas e a sociedade civil. O tema envolve questões de bem-estar animal, saúde pública e também levanta debates sobre quais devem ser as prioridades do Congresso Nacional.
O projeto apresentado pela deputada Duda Salabert levanta um debate legítimo sobre bem-estar animal, mas também abre espaço para críticas importantes — principalmente no campo da praticidade e das prioridades.
De um lado, é inegável que a chamada “cola rato” pode causar sofrimento prolongado aos animais. No entanto, a proposta parece atacar o efeito, e não a causa do problema. Infestações de ratos estão diretamente ligadas à falta de saneamento básico, acúmulo de lixo e falhas na infraestrutura urbana — problemas históricos no Brasil que ainda atingem milhões de pessoas.
Ao propor a proibição de um método amplamente utilizado, o projeto pode acabar criando um vazio sem oferecer alternativas acessíveis, especialmente para famílias de baixa renda e pequenos comércios que recorrem a soluções baratas para lidar com pragas. Nem todos têm acesso fácil a serviços profissionais de dedetização ou a métodos mais modernos de controle.
Outro ponto de crítica é a viabilidade da fiscalização. Em um país de dimensões continentais, proibir a venda desse tipo de armadilha pode ser difícil de controlar na prática, podendo apenas empurrar o comércio para a informalidade.
Além disso, há quem questione se esse tipo de proposta deveria ser prioridade no Congresso, diante de desafios mais urgentes enfrentados pela população, como segurança, saúde e geração de emprego. O risco é que pautas relevantes acabem sendo vistas como distantes da realidade de grande parte dos brasileiros.
Por outro lado, o debate não deve ser descartado. A discussão sobre métodos mais éticos de controle de pragas é válida — mas talvez o caminho mais eficaz fosse combinar restrições com políticas públicas concretas e acessíveis, garantindo que a população tenha alternativas reais antes de simplesmente proibir.
Em resumo, a proposta traz uma intenção compreensível, mas pode ser considerada limitada se não vier acompanhada de soluções práticas e estruturais para um problema que vai muito além do uso de armadilhas.