
O crime organizado no Extremo Sul da Bahia sofreu um duro golpe financeiro e estrutural com a conclusão do inquérito da Operação Vento Norte. A Polícia Civil indiciou 28 pessoas pelos crimes de tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Por determinação da Justiça, em ação conjunta com o Gaeco do Ministério Público, foram bloqueados cerca de R$ 3,8 milhões distribuídos em 26 contas bancárias ligadas ao grupo criminoso, atingindo diretamente o núcleo financeiro da organização.
De acordo com as investigações, a quadrilha operava com estrutura semelhante à de uma empresa, com funções bem definidas. Segundo o coordenador da 23ª Coorpin, delegado Moabe Macedo, o grupo utilizava contas bancárias para movimentar recursos ilícitos e sustentar toda a logística do tráfico.
A Polícia Civil também solicitou à Justiça a conversão das prisões temporárias em preventivas, com o objetivo de manter os suspeitos sob custódia e evitar a continuidade das atividades criminosas.
Um dos pontos mais sensíveis do inquérito é o pedido de afastamento do presidente da Câmara de Guaratinga, vereador Paulo Silva de Oliveira, conhecido como “Paulinho Chiclete”. Ele é apontado como integrante do núcleo político da organização.
No topo da estrutura criminosa, segundo a polícia, estão nomes como Ednaldo Pereira Souza, o “Dadá”, Tiago Silva da Rocha, o “Tiba”, Wallas de Souza Soares, o “Patola”, e Rogério de Jesus Souza.
Abaixo da liderança, o grupo se dividia em setores operacionais. Na área armada e de logística, foram indiciados Jhon Leno Dias Serafim (“Bera”), Vinícius Sizon do Amparo Monteiro (“Billy”) e Starles Nunes Santos. Já a preparação de entorpecentes era atribuída a Jefferson Quaresma Mota (“Dazin”) e Lucimaria Pereira da Silva (“Japinha”), além de outros auxiliares.
O inquérito também detalha o funcionamento do setor financeiro, que seria operado por Tamires Silva Santos e Miqueli Alves dos Santos, além de identificar mais de dez pessoas responsáveis pela comercialização direta das drogas nas ruas.
Com o indiciamento dos envolvidos e o bloqueio milionário das contas, a polícia agora foca em desarticular completamente a base econômica que sustentava o tráfico na região.
A Operação Vento Norte, realizada na manhã de quarta-feira (8/4/2026), foi uma ação integrada entre o Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais, e a Polícia Civil da Bahia.
A iniciativa teve como principal objetivo desarticular uma organização criminosa com atuação na região sul do estado, atuando de forma coordenada no combate a práticas como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
As diligências foram realizadas nos municípios de Eunápolis e Guaratinga, com o cumprimento de medidas judiciais também nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.