
Uma decisão da Justiça acendeu ainda mais o debate sobre a atuação policial no Extremo Sul da Bahia. Seis agentes das forças de segurança foram afastados cautelarmente após serem denunciados pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) por envolvimento em duas mortes durante uma operação realizada em Caraíva, distrito de Porto Seguro.
A medida foi determinada pela 1ª Vara Criminal de Porto Seguro, que recebeu integralmente a denúncia do MPBA. Os policiais também estão proibidos de manter qualquer tipo de contato com familiares das vítimas e testemunhas do caso.
Foram afastados os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade, além dos policiais militares Angelo Rodolfo dos Santos Reis, Arthur Campos Barreto, Lúcio Mario Santos Sousa e Rodrigo Nogueira Mota.
Acusação aponta homicídios e possível execução
De acordo com o Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), os seis agentes vão responder por dois homicídios qualificados. A denúncia descreve um cenário grave: uma das vítimas teria sido atingida por diversos disparos em via pública, enquanto a outra foi abordada, revistada e, logo em seguida, executada.
Laudos periciais reforçam a suspeita de violência anterior aos tiros. Segundo o MP, foram identificadas lesões compatíveis com agressões físicas, o que levanta a hipótese de abuso durante a ação policial.
Fraude processual agrava o caso
Além dos homicídios, os investigadores da Polícia Civil Alan Brito Ribeiro e Anderson Luis Mota de Andrade também foram denunciados por fraude processual. Conforme a acusação, eles teriam alterado a cena do crime com o objetivo de dificultar a apuração dos fatos e reconstrução da dinâmica das mortes.
A possível participação de policiais militares nessa conduta será analisada separadamente pela Vara de Auditoria Militar.
Guia de turismo pode ter sido morto por engano
O caso ganhou grande repercussão por envolver a morte do guia de turismo Vitor Cerqueira Santos Santana, de 28 anos, conhecido como “Vitinho de Luzia”. Familiares e moradores afirmam que ele não tinha qualquer ligação com o crime e teria sido confundido com outro homem durante a operação.
A versão, no entanto, é contestada pela Polícia Civil, que sustenta que a ação tinha como alvo integrantes de uma organização criminosa que atua na região.
Outro morto era alvo da operação
A segunda vítima foi Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como “Alongado”. Segundo a Polícia Civil, ele seria apontado como líder da facção criminosa Anjos da Morte, investigada por controlar o tráfico de drogas em Caraíva e principal alvo da chamada Operação Travessia.
Caso segue sob investigação e aumenta pressão por respostas
O afastamento dos policiais marca um novo capítulo no caso, que já mobiliza moradores, autoridades e entidades. A decisão judicial não representa condenação, mas indica que há indícios considerados suficientes para o andamento da ação penal.
Enquanto isso, familiares das vítimas cobram justiça e transparência. O caso segue em investigação e deve ter novos desdobramentos nos próximos meses.