
A mãe de Victor Cerqueira Santos Santana, conhecido como Vitinho, guia de turismo de 28 anos morto no dia 10 de maio de 2025, em Caraíva, distrito de Porto Seguro, se manifestou após a decisão da Justiça que determinou o afastamento de seis policiais investigados pelo caso.
Luzia Sequeira, mãe de Vitinho, afirmou que recebeu com alívio a notícia de que o Ministério Público da Bahia (MP-BA) apresentou a denúncia contra os policiais envolvidos no caso, agora acatada pela Justiça, que resultou no afastamento dos seis agentes.
Ela destacou, no entanto, que considera o período de 180 dias de afastamento insuficiente, mas disse esperar que os acusados sejam levados a júri popular. Segundo Luzia, a família segue em busca de justiça e de uma resposta definitiva para o caso.
Vitinho morreu durante uma operação policial que contou com a participação das polícias Civil, Militar e Federal. A ação tinha como objetivo prender um homem apontado como líder do tráfico de drogas na região, que também morreu durante a operação.
Na época, a versão oficial indicava que o guia de turismo teria sido atingido durante uma troca de tiros. No entanto, familiares contestam essa narrativa e afirmam que Vitinho foi preso com vida e teria sofrido agressões físicas antes de morrer.
O caso ganhou novos desdobramentos em julho de 2026, após o Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciar seis policiais envolvidos na ação. A Justiça, por meio da 1ª Vara Criminal de Porto Seguro, determinou o afastamento cautelar dos agentes por 180 dias.
Foram afastados os policiais civis Alan Brito Ribeiro e Anderson Luís Mota de Andrade, além dos policiais militares Angelo Rodolfo dos Santos Reis, Arthur Campos Barreto, Lúcio Mário Santos Sousa e Rodrigo Nogueira Mota.
De acordo com o MP-BA, os agentes vão responder por dois homicídios qualificados. As vítimas são Vitinho, que segundo a família não possuía envolvimento com atividades criminosas, e Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como “Alongado”, apontado pela polícia como alvo principal da operação.
A denúncia também inclui acusação de fraude processual contra os investigadores Alan Brito Ribeiro e Anderson Luís Mota de Andrade, por suposta alteração da cena do crime.
As investigações apontam que Vitinho não era investigado por nenhum crime. O atestado de óbito indica que ele morreu em decorrência de politraumatismo e disparos de arma de fogo.
A decisão judicial também determina que os policiais afastados não mantenham contato com familiares das vítimas nem com testemunhas do caso.
O processo segue em andamento, e a família de Vitinho continua cobrando justiça.