
ITABELA/EUNÁPOLIS (BA) — A Polícia Civil da Bahia investiga a atuação de uma advogada de 28 anos, Brunay Cordeiro Santos, suspeita de envolvimento em um esquema para retirar um veículo apreendido e devolvê-lo a integrantes de uma facção criminosa atuante no sul do estado. O caso foi revelado durante a Operação Chicana, deflagrada na manhã desta quarta-feira (5), em Eunápolis.
De acordo com as investigações, a profissional teria elaborado um contrato de locação com informações falsas e data retroativa com o objetivo de dar aparência de legalidade à posse de um automóvel modelo VW/Nivus, apreendido anteriormente pela Polícia Militar no município de Itabela.
Apreensão do veículo
O carro foi interceptado no dia 18 de abril, nas proximidades da Praça do Fórum, em Itabela. Segundo a polícia, dois suspeitos apontados como integrantes do grupo criminoso Bonde do Maluco (BDM), que estavam no veículo.
Ao perceberem a presença policial, os dois tentaram fugir, colidiram com a viatura e abandonaram o carro, escapando a pé. O automóvel foi apreendido no local.
Contrato sob suspeita
Durante a investigação, surgiu a informação de que a advogada Brunay teria apresentado um contrato de locação supostamente assinado antes da apreensão do veículo. O documento indicava que o carro estaria alugado a um dos suspeitos, com o objetivo de justificar sua posse.
Entretanto, em depoimento, o suposto locador, um idoso de 73 anos, afirmou que assinou o documento sem conhecimento do seu real conteúdo. Já o proprietário da loja onde o veículo foi adquirido confirmou que a advogada participou da intermediação do contrato.
Para a Polícia Civil, há indícios de que o documento foi produzido para tentar reaver o carro apreendido e devolvê-lo ao grupo criminoso.
Pedido de prisão e decisão judicial
Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva da investigada, Brunay Cordeiro Santos, apontando possíveis crimes de falsidade ideológica, fraude processual e participação em organização criminosa.
O pedido, no entanto, foi negado pela Justiça, que acompanhou o parecer do Ministério Público. A decisão levou em consideração o fato de a advogada ser mãe de um bebê de dois meses e estar em período de amamentação.
Medidas cautelares
Apesar da negativa da prisão, a Justiça determinou o cumprimento de medidas cautelares, incluindo:
Uso de tornozeleira eletrônica
Suspensão do exercício da advocacia
Recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana
Proibição de contato com outros investigados
Pagamento de fiança
Operação e desdobramentos
Durante a Operação Chicana, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Eunápolis. A polícia apreendeu aparelhos eletrônicos e documentos que serão analisados para aprofundar as investigações.
Segundo a Polícia Civil, há indícios de que a advogada possa ter prestado outros tipos de apoio à organização criminosa, que é investigada por envolvimento em homicídios, tráfico de drogas e outros crimes violentos na região.
O caso segue sob investigação e está em segredo de Justiça. A defesa da advogada não havia se manifestado até a última atualização desta matéria.
O espaço permanece aberto para que a defesa da advogada possa se manifestar.