
Itabela- A fazenda Santa Lucia e a fazenda Frutelli Culturas Tropicais LTDA, situadas no município de Itabela, Extremo Sul da Bahia, que foram ocupadas na madrugada desta terça-feira (08/03/2022), por famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), juntas tem 383 hectares, com 220 hectares produtiva e 163 hectares de reservas permanente.
Segundo um dos proprietários das fazendas, Roberto Canguçu, as propriedades existem e pertence a ele e sua família, há mais de 35 anos. Ainda segundo ele, as propriedades encontram-se documentas e com Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR, pagos.
Roberto explica que a propriedade, chamada originalmente de Fazenda Frutelli, tem dois títulos totalizando 193,6 hectares, sendo que 90 hectares de mata nativa, e 1,6ha construções rurais e o restante com plantação de coco consorciado com pastagens e outras frutas e abriga 100 cabeças de gado.
A fazenda Santa Lucia são 193,6 hectares, sendo 74ha de mata nativa,3,6ha de construção rurais; 30 hectares de café cequeiro; 46ha de maracujá com estacas alocadas ao solo e viveiro em ponto de plantio e 40ha de pastagens com 50 cabeças de gado bubalino. Na fazenda segundo o proprietário, trabalham 7 funcionários direto
A propriedade Frutelli Culturas Tropicais LTDA, tem desempenhado ao logo dos anos, uma grande produção de poupas. Durante a pandemia as atividades de produção diminuíram e após, está voltando as atividades. Existem na fazenda plantação de acerola, coco, pitanga, entre outras frutas que são usadas na confecção de poupas.
Preocupado com a ocupação nas duas fazendas, o proprietário fez a retirada de todo o rebando existente nas duas propriedades. Para fazer o manejo do rebanho e transferir o gado para uma fazenda em outra região, foi necessário a locação de 6 caminhões truques, um custo que passa de R$ 20 mil reais.
A ocupação das duas propriedades na manhã desta terça-feira, em Itabela, colocou em alerta os produtores rurais de Itabela e da região, que já estão se reunindo com os sindicatos dos produtores rurais para discutir sobre a ocupação das terras e impedir que outras ocupações venham ocorrer.
O proprietário das fazendas ocupadas, Roberto Canguçu, contou que os ocupantes na maioria são mulheres e até então não tem causados danos nas propriedades. De acordo com ele, mesmo assim, os prejuízos são incalculáveis, foi preciso a retirada de gado e a paralização nas atividades das fazendas.
Segundo o MST a ocupação faz parte da Jornada de Luta das mulheres do MST. Na pauta defendida pelo movimento, estão os atos de denuncia em vários estados contra as multinacionais do agronegócio. Eles cobram ações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a garantia da soberania alimentar.
Diante da situacão uma reunião de emergência foi realizada as 19h desta terça-feira, na sede do Sindicato dos Produtores Rurais de Itabela, para avaliar a ocupação das propriedades e discutir quais as providências serão tomadas a partir desta quarta-feira (09/03).