O campo Baiano continua caracterizado pelos conflitos, cuja tipologia pode definir como diversa, porém essencial e radicalmente fruto da atual inexistência de uma política pública efetiva de Reforma Agrária que não funciona. Esse fato constitui hoje o contraponto da questão Agrária Brasileira.
É neste contexto que comparecem os movimentos sociais de luta pela terra e pela Reforma Agrária, denominada – FETAF (Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar) e a FETAG-BA (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura no Estado da Bahia, que com a manobra feita pela Veracel Celulose passaram a ocupar a mesma área de terra localizada as margens do Rio Buranhém, região conhecida como estrada do “cavaco seco” no Município de Eunápolis, na Aintiga Fazenda Amazonia.
Nesta mesma área existia um grupo e 74 família do movimento FETAF ocupando as terras através de acampamentos desde 2010, as terras como afirmam os antigos moradores estavam devolutas e improdutivas. Eles alegam ainda, que a Empresa Veracel não é seu legítimo proprietário e que as terras são da União, denominadas de latifúndios.
As informações repassadas por um trabalhador e ex-Presidente da Associação Remanescente, Gildazio Dutra de Souza ligado a Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar – (FETAF), a Empresa Veracel para resolver um problema de ocupação em outra área localizada na região entre Eunápolis e Itabela a cerca de 30 km distante, desapropriou os antigos ocupantes da Associação Remanescente e doou as terras para as famílias da FETAG, criando assim, um confronto entre os dois movimentos.
Ainda segundo o trabalhador e ex-Presidente da Associação Remanescente, Gildazio Dutra de Souza, está havendo resistência por parte das famílias que já ocupava a área a 6 anos, esta mesma situação vem ocorrendo com parte das famílias da FETAG que insiste em não quere sair da área que ocupam a mais de 7 anos, onde construíram um sonho de ter seu pedaço de chão hoje ceifado pela Veracel.
De acordo com o Presidente da Associação Remanecente Sr, Lucimar, o movimento da FETAG coordenado pelo Sr. Wellington Santos que é o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itabela, ateou fogo em uma área verde próximo de uma nascente da localidade e fizeram uma cerca impedido que moradores do movimento da FETAF apanhasse água no local, a decisão gerou insatisfação e até ameaças de morte.
Outra reclamação do trabalhador é o fato que a empresa despejou as 74 famílias que já estavam estaladas na área para recolocar outras familiais da FETAG. “É justamente aí que está iniciando um conflito agrário, a empresa persegui os trabalhadores rurais da localidade para colocar no local, outras famílias de acampamentos em outras áreas de terra da empresa ocupadas há anos, a exemplo de um assentamento na divisa entre Eunápolis e Itabela, o que não é compreendido”, disse Gidazio
Segundo o denunciante, há pequena extensão de terra dentro da área da multinacional Veracel tinha muitas benfeitorias feitas pelos trabalhadores, como plantação de feijão, mandioca, café, urucum e grande produção de banana já próxima a ser colhida. “Mesmo dispostos à negociação a empresa não demostrou interesse a negociar com os moradores e preferiu expulsar os trabalhadores da região”, reclama ao denunciante.
Diante disso parte das famílias que já estavam na área não arredou o pé e resisti em ficar nas terras, impedindo que as outras famílias entrassem na área, hoje existem dois grupos de Movimentos sociais de luta pela terra e pela Reforma Agrária no Sul da Bahia.
No meio de toda essa confusão os trabalhadores do acampamento localizado na fazenda Amazonas perderam toda as suas benfeitorias de alimentos que chegariam a mesa dos trabalhadores. A partir de um macro projeto de Sustentabilidade Econômica, os acampados trabalharam de forma organizada e sistemática para garantir o sustento de suas famílias, mas perderam tudo sem direito a nada, por uma ação de reitegração de posse movida pela empresa multinacional Veracel Celulose.