PF questiona permanência de Toffoli na relatoria do caso Master; ministro tenta esclarecer repasses recebidos de empresa ligada ao banco

Giro de Noticias - 12/02/2026 - 15:31


A permanência do ministro Dias Toffoli à frente da relatoria do processo que envolve o Banco Master tem sido alvo de observação e comentários por jornalistas, políticos e autoridades. A Polícia Federal aponta que Toffoli pode ser considerado suspeito para continuar no caso, de acordo com relatório encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Após a divulgação do relatório, Toffoli negou qualquer relação pessoal ou financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e buscou esclarecer pagamentos recebidos por meio da empresa Maridt, da qual é sócio.

Segundo informações divulgadas pela jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o ministro teria recebido valores da Maridt, empresa que vendeu sua participação no resort Tayayá, em 2021, para um fundo ligado a Vorcaro. Mensagens sobre essa operação constam na perícia realizada pela Polícia Federal nos celulares do banqueiro e de outros investigados.

Em nota pública, o gabinete de Toffoli afirma que a Maridt é uma empresa familiar constituída como sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com declarações regularmente apresentadas à Receita Federal. O ministro integra o quadro societário, mas a administração é feita por parentes, conforme permitido pela Lei Orgânica da Magistratura, que veda apenas o exercício de atos de gestão por magistrados.

Ainda segundo a nota, a Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída da empresa ocorreu em duas operações: a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Todas as operações foram declaradas à Receita Federal e realizadas “dentro de valor de mercado”.

O relatório da Polícia Federal, compartilhado por Fachin com outros ministros do STF, inclui mensagens entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que discutem transferências financeiras relacionadas à Maridt. Com base nesses documentos, a PF sugere que Toffoli poderia ser considerado suspeito para permanecer na relatoria do processo do Banco Master.

Ao final da nota, Toffoli afirma desconhecer o gestor do Fundo Arllen, nega qualquer relação de amizade — “muito menos amizade íntima” — com Vorcaro e garante que jamais recebeu valores de Vorcaro ou de Zettel.

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