O Brasil repetiu em 2025 sua segunda pior pontuação no Índice de Percepção da Corrupção. Os escândalos no INSS e Banco Master pode ser principal motivadores.

Giro de Noticias - 12/02/2026 - 15:55


O Brasil repetiu em 2025 sua segunda pior pontuação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), da Transparência Internacional: 35 pontos em uma escala de 0 a 100, permanecendo na 107ª posição entre 182 países. A variação em relação a 2024 foi estatisticamente insignificante, indicando estagnação.

O resultado reflete, segundo especialistas, uma série de escândalos de grande impacto no país. Entre os casos mais notórios estão a Operação Sem Desconto, que revelou fraudes massivas no INSS; a Operação Compliance Zero, expondo a maior fraude bancária da história brasileira envolvendo o Banco Master; e outros desvios em órgãos públicos, como Correios e áreas do sistema financeiro.

O relatório Retrospectiva 2025, da Transparência Internacional – Brasil, aponta ainda envolvimento de atores de alto escalão, captura de recursos públicos por parlamentares e contratos milionários no Judiciário ligados ao caso Master.

Bruno Brandão, diretor executivo da entidade, alerta:

“O Brasil chocou o mundo com macrocorrupção em escala inédita e impunidade generalizada. A corrupção corrói profundamente a democracia e exige enfrentamento urgente.”

O estudo também sugere medidas de longo prazo, como aprovação de Código de Conduta no sistema de Justiça e transformação da cultura jurídica para combater práticas corruptas.

Segundo os estudos, o governo federal falhou gravemente na resposta ao escândalo do INSS. As reformas vieram tardiamente e a substituição do ministro da Previdência por um aliado político direto gerou críticas adicionais. As investigações mostraram ainda continuidade do esquema entre gestões, com envolvimento de atores de alto escalão nos governos de Dilma, Temer, Bolsonaro e em proporção maior no governo Lula.

No Legislativo, 2025 consolidou o movimento de captura orçamentária, com crescimento voraz das emendas parlamentares, que mais uma vez bateram recordes e já ultrapassarão R$ 60 bilhões no orçamento aprovado para 2026. A prática se disseminou também por assembleias estaduais e câmaras municipais, como evidenciado por estudo da Transparência Internacional – Brasil que subsidiou decisão do ministro Flávio Dino para estender regras de transparência e controle aos governos subnacionais.

Se o caso Master revelou uma rede poderosa de influência perpassando os três Poderes, foi no Judiciário — em especial no STF — que seus tentáculos se mostraram mais audaciosos. Tornou-se público um contrato ainda inexplicado de R$ 129 milhões entre o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o banco fraudador de Daniel Vorcaro — cifra muito acima de padrões nacionais e internacionais de honorários, incluindo bancas globais envolvidas em litígios transnacionais.

As investigações do caso foram avocadas pelo ministro Dias Toffoli, que imediatamente decretou sigilo máximo e passou a exercer ingerência anômala sobre diligências. Pouco depois, veio à tona que o ministro havia viajado em um jato particular com o advogado do diretor de compliance do Master, alvo da Compliance Zero. Na virada do ano, surgiram revelações ainda mais graves envolvendo negócios imobiliários sem lastro aparente da família Toffoli, com aportes de indivíduos ligados ao Master e à JBS — empresa que já se beneficiou de decisões do próprio ministro.

O relatório da Transparência Internacional – Brasil recomenda investigações independentes, por parte da PGR e do Senado Federal, sobre os fatos relacionados aos dois ministros.

A Retrospectiva 2025 também identifica duas oportunidades para que o Brasil retome a agenda anticorrupção:

Com apoio social e coordenação institucional, essa conjuntura pode abrir espaço para a aprovação de um Código de Conduta na cúpula do sistema de Justiça, mas avançando para um movimento mais duradouro de transformação das práticas e cultura jurídica no Brasil.

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