
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulam nos bastidores a saída do senador Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, após o petista se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal. A avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que a permanência no cargo se tornou politicamente insustentável, embora Lula não pretenda tomar a decisão de forma direta.
Segundo interlocutores, a estratégia do presidente é aguardar que o próprio Wagner tome a iniciativa de deixar a função, sob o argumento de que precisa se dedicar à sua defesa. Ministros e aliados próximos passaram a atuar, nesta quinta-feira (18), em uma espécie de “operação de convencimento” para que o senador anuncie a renúncia até esta sexta-feira (19) ou, no mais tardar, na próxima segunda-feira (22).
A movimentação ocorre após a deflagração de mais uma fase da operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. A ação investiga suspeitas relacionadas ao banco Master e incluiu o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, atingindo endereços ligados a Wagner.
De acordo com aliados, Lula telefonou duas vezes para o senador ao longo do dia, demonstrando solidariedade diante do impacto da operação. No entanto, integrantes do governo afirmam que o gesto não representa garantia de permanência no cargo, mas sim um sinal político para que Wagner conduza sua saída de forma voluntária.
Em entrevistas concedidas após a operação, Wagner destacou a confiança de Lula em sua integridade e afirmou que permanece na liderança “até segunda ordem”. A declaração, porém, foi vista por membros do governo como acima do tom, já que não há definição sobre sua continuidade.
Nos bastidores, também há preocupação com o impacto político do caso, especialmente pelo potencial de alimentar discursos de adversários, como o senador Flávio Bolsonaro. A investigação menciona o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao banco Master, que também aparece em outras frentes de apuração.
A operação da Polícia Federal ainda incluiu buscas em imóveis relacionados ao enteado de Wagner, Eduardo Sodré Martins, e à esposa dele, Bonnie Bonilha, em Salvador, além de um hotel em Brasília onde o senador reside.
Dentro do governo, a expectativa é que os próximos dias sejam decisivos para o desfecho da crise, com pressão crescente para que Wagner deixe o posto e reduza o desgaste político da gestão no Congresso.